Em 1995, fui enviado como missionário pela Igreja, por
meio dos Padres de São Columbano, às Filipinas. Não sei exatamente como
fui escolhido pela Igreja para ser missionário e, como tal, enviado a
evangelizar os filipinos, mas sempre tive a mais firme convicção de que
sê-lo foi o principal fio do tecido da minha vida como sacerdote e como homem.
Há 7 anos, diagnosticaram-me câncer de
cólon. Este câncer é bastante aterrador, tanto que até me perguntei se a
minha vida como missionário havia chegado ao seu fim, mas, depois de
uma cirurgia e quimioterapia, fiquei livre para voltar ao meu trabalho,
tanto de evangelizar como de ser evangelizado pelos filipinos, já que
isso era o que estava acontecendo.
No entanto, depois de um
ano, surgiu um novo câncer nos pulmões, e fiz mais 5 anos de
quimioterapia, durante os quais tive a oportunidade de continuar como um
missionário muito feliz e produtivo. Foi assim até julho de 2002, quando tive de voltar a Omaha para fazer radioterapia e uma nova quimioterapia.
Enquanto isso, cumpri 75 anos de vida, mas a quimioterapia minou minhas
forças, e os filipinos me perguntavam, pelo telefone e por carta,
quando é que eu "voltaria para casa". Meu corpo e meu médico me disseram
que não seria tão cedo. Mas eu achava que, de fato, voltaria. Afinal de
contas, eu era um missionário e minha vocação era para a vida inteira.
Como sacerdote e como homem, eu não conhecia outra vida nem queria
nenhuma outra.
Então, meu último tratamento com quimioterapia
não surtiu efeito, e o câncer estava crescendo novamente. Não estou
particularmente assustado com esta notícia, mas me entristece. Continuo
sendo um missionário quando já não posso estar com aqueles com quem
passei a vida inteira?
Agora, posso dedicar mais tempo à oração e
à meditação da Palavra de Deus, mas não sei se rezo melhor do que
antes. Tenho mais tempo para recordar com grande alegria as centenas de
pessoas que me chamaram de "padre", "pai". Seu amor me sustentou durante
tanto tempo!
Sempre considerei que um sacerdote precisa ser
um homem de oração para ser digno de qualquer coisa, e um sacerdote
missionário, mais ainda que os outros.
Ainda que minha oração
seja pobre, percebi que, por enquanto, é a única maneira que tenho de
ser missionário, e me comprometo a continuar fazendo isso enquanto tiver
forças.
Talvez eu possa aplicar a mim mesmo o que preguei a tantos idosos e outros doentes: que estes momentos podem ser mais produtivos que qualquer outro momento de uma longa carreira missionária.
(O Pe. Jim McCaslim faleceu no dia 16 de setembro daquele ano) Fonte:Aleteia
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quarta-feira, 18 de março de 2015
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