Hitler pensou em invadir o Vaticano e levar Papa Pio XII para a Alemanha
Em 1942 , Adolf Hitler idealizou um
projeto para deportar o Papa Pio XII e alguns membros da Cúria Vaticana
para a Alemanha. Trata-se de um episódio histórico, quase ignorado pela
opinião pública, que veio à tona a partir de diversos documentos, entre
os quais as cartas informativas que chegavam ao Papa através de diversas
fontes – inclusive militares-, sobre o que acontecia em Roma e nos
arredores.
O que há de verdadeiro nisso? Como se
desenvolveu realmente o caso? Por que não deu certo? E mais: por que
esse episódio se tornou desconhecido pelo grande público?
As respostas a essas e outras perguntas
podem ser encontradas no livro “O acordo secreto de Hitler”, da editora
Città Nuova, apresentado esta semana na 13ª Feira do Livro de Turim
(Itália).
O texto traz uma narração dos eventos
dramáticos da Segunda Guerra Mundial através dos “olhos” de Pio XII e de
seu antagonista, Adolf Hitler. O livro possui um estilo que liga uma
sólida reconstrução histórica ao fascínio da narração.
Papa Pacelli, que estava informado sobre
as deportações de judeus por parte dos nazistas, depois que Hitler
decidiu exterminá-los, fez de tudo para salvá-los.
Em agosto de 1942, em um grande forno de
metal, na cozinha do terceiro andar do Palácio Apostólico, no Vaticano,
o Papa queimava folhas repletas de anotações. “Ao lado, diz o texto,
está Papa Pio XII, alto e pálido; em suas mãos, estão duas grandes
folhas de papel, escritas com a sua grafia precisa e minuciosa. Ele joga
uma a uma ao fogo e as supervisiona atentamente até que cada uma
queime. As freiras alemãs que cuidam do apartamento papal observam à
distância, silenciosas”.
“Irmã Pascalina Lehnert, a única freira
mais próxima do Papa, teve coragem de intervir: ‘Santo Padre, – disse,
abrindo aquele olhar azul – por que estás queimando essas folhas?’. Aqui
– responde o Pontífice, olhando diretamente em seus olhos, como sempre
fez – está o meu protesto contra as cruéis perseguições contra os
hebreus na Holanda. Estava a ponto de publicá-la no L’Osservatore
Romano’ ”.
Era uma carta muito mais dura que aquela
dos bispos holandeses contra as represálias nazistas, a qual foi lida
nas igrejas em 26 de julho daquele ano e provocou a prisão de milhares
de pessoas, cerca de 40 mil.
“A minha – explica Pio XII – poderia
custar a vida de umas 200 mil pessoas”. Melhor não falar de forma
oficial e trabalhar em silêncio por esse povo”.
Depois de 8 de setembro de 1943, a
Itália transformou-se em um caos. O governo de Badoglio teve de fazer um
armistício com os aliados; o rei e os seus parentes fugiram para
Brindisi; Mussolini era prisioneiro do Führer, no norte da Itália, onde
reconstituiu o governo fascista, a República de Salò.
Karl Wolff, membro de alto escalão, de Himmler, recebeu de Hitler uma tarefa importante:
“Em Roma há o Vaticano e há o Papa. Não
devem cair nas mãos dos aliados nem estar sob qualquer influência deles.
Seria um grande dano para a Alemanha”, reconstruiu Dal Bello.
Por isso, as tropas alemãs deveriam
ocupar o Vaticano, salvando as obras de arte e os arquivos e
demonstrando “preocuparem-se com a saúde do Papa”, uma desculpa para
transportá-lo à Alemanha, para depois pensarem o que fazer.
A notícia se espalhou: “Querem levar o
Papa embora”. A rádio da República de Salo chegou a citar isso
claramente no dia 7 de outubro 1942: “Já preparam os alojamentos para o
Papa”.
“A notícia das intenções dos nazistas é
séria”, disse Pio XII a Cesidio Lolli, vice-diretor do L’Osservatore
Romano. E ainda: “Eu não deixarei nunca o Vaticano e Roma; mesmo que me
acorrentem, não sairei daqui”, disse Papa Pacelli ao jesuíta Paolo
Dezza. Fonte:Cleofas

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