terça-feira, 4 de fevereiro de 2014


Em editorial do semanário Desde la Fe, a arquidiocese primaz do país afirma que os principais beneficiados pela iniciativa serão os narcotraficantes

Por Ivan de Vargas
ROMA, 04 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - A arquidiocese primaz do México rejeitou nesta segunda-feira a legalização do consumo de maconha no país, argumentando que ela acentuaria a dependência química e afetaria principalmente os jovens, criando uma ilusão de evasão da realidade. A Igreja mexicana defende "alternativas preventivas e tratamentos eficazes para os dependentes".
Em editorial publicado no semanário católico “Desde la Fe”, o arcebispado declara que a medida, a ser aprovada na Assembleia Legislativa do Distrito Federal (ALDF), faz parte de uma corrente de degradação social. A iniciativa prevê aumentar de 5 para 35 gramas a dose da droga permitida para consumo pessoal.
No texto, a publicação oficial da arquidiocese destaca que “a legalização da maconha se aproxima da lógica do poder dos mercadores da morte” e enfatiza que as consequências da maconha na saúde pública são "nefastas".
“Primeiro, atentaram contra a vida dos não nascidos; depois, arremeteram contra valores e instituições fundamentais do direito civil; agora toleram e promovem uma sociedade drogada e enferma”, denuncia o editorial.
Ao se legalizar o consumo da maconha, os principais beneficiados serão os narcotraficantes e não a população, prossegue o artigo, observando que não há comprovação fidedigna de que a legalização da maconha diminua o consumo de drogas sintéticas.
"Os legisladores do Partido da Revolução Democrática (PRD) ignoram deliberadamente que o seu consumo tem origem em problemas multifatoriais" e fecham os olhos para "a dramática e penosa realidade dos dependentes, que sofrem a limitação da sua qualidade de vida", diz o texto da arquidiocese. A droga "põe em risco as suas relações familiares e de trabalho e, socialmente, pode incitar à violência e ao delito".
Neste sentido, o semanário católico reafirma que “só os valores, a educação, a solidariedade e a justiça combatem o uso de drogas”. E enfatiza: “Não se vence a droga com a droga”.
O órgão legislativo da capital mexicana propõe criar um Comitê de Dissuasão que analisaria os casos das pessoas detidas por portarem mais de 35 gramas de maconha, a fim de determinar se o contexto é de consumo pessoal ou de tráfico.
Por sua vez, o cardeal Norberto Rivera Carrera fez um chamamento para dar fim ao egoísmo, à violência, ao ódio e aos vícios, durante a missa dominical na Catedral Metropolitana da Cidade do México.
“O fogo do amor, o espírito do amor, esse fogo tem que descongelar o nosso mundo aprisionado pelo egoísmo, pela violência, pelo ódio. Para atingirmos essa finalidade, Jesus disse aos seus discípulos: vocês são a luz do mundo”, recordou o cardeal.

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